domingo, 20 de março de 2011

O Desbastar da Pedra Bruta.

(material recebido por e-mail de um Ir.'. não identificado)

Desde a mais tenra idade humana, datando dos princípios de origem da raça, é relevante lembrar que a humanidade busca retomar a condição de sabedoria e bondade a partir da premissa de que, em tempos idos, no gênesis a criação, céu e terra estavam num mesmo plano onde anjos e homens conviviam no mesmo mundo de perfeição e justiça. A ruptura ocorrida a partir do “pecado” (desarmonia dos princípios) separou estes mundos dividindo-os entre sagrado e profano.

A partir da iniciação, o neófito – até então profano - começa a incursão num universo além dos sentidos buscando retomar aquela condição então original e sagrada, atribuindo ao seu espírito então acordado para a verdade real, o mais puro sentimento de Justiça e Perfeição. Neste desbastar-se diuturno a que sujeita-se pela força do desejo de mudanças, o aprendiz em sua nova e nobre arte, deixa-se conduzir pelo mestre nos caminhos da ritualística. E eis que surge a questão enigmática da FORÇA, enquanto meio de talhar a pedra bruta pelo MALHO e CINZEL – instrumentos simbólicos de desbastamento material, agora, precisando ser compreendido no plano espiritual.

Algo, então, passa a ser necessários compreender pelo iniciado, já objeto de profundas indagações filosóficas, trata da proporcionalidade da força a que deve ser submetido o espírito humano para sua construção, lapidação e restauração, respectivamente em cada uma das fases de seu aprimoramento. Há de ser perquirir, nestas sondagens gnósticas, até onde a força empregada pelo malho no cinzel é imposição forçosa ao aprimoramento em detrimento da leveza do saber.

A FORÇA, mal proporcionada é apenas desperdício, como a pólvora queimada a céu aberto, sem a compressão no tubo de ensaio que é a cápsula da vida. É destruição e ruína. É o vulcão, o terremoto, o ciclone - não crescimento e progresso. É o cego, tropeçando ao acaso e precipitando-se entre as pedras afiadas pelo ímpeto de seu tatear às escuras, golpeando o vazio de sua vida.

Em “O diálogo de Melos”, propostas gregas filosóficas mostram que já não bastava a conquista pela força de seus exércitos; necessário era a conquista ideológica; fazer o conquistado entender as razões do vencedor pela sabedoria e incorporar-se a estes novos conceitos de bondade:

"Difícil também, nós julgamos, sabeis bem, lutar contra a força que tendes e contra a sorte, se não for em pé de igualdade. Apesar disso temos confiança! Em sorte a divindade não nos fará menores porque, piedosos, estamos diante de justos"

A ação cega do homem é uma força que deve ser controlada e regulamentada pelo intelecto. O intelecto é a agulha da bússola no caminhar da humanidade - a sua alma, sempre aconselhando a enorme massa do destino e sempre apontando para o norte, que é o bem objetivo a ser alcançado diuturnamente.

Para atacar as fortalezas construídas por todos os lados contra o desenvolvimento e a sanidade humanas, razões máximas de nosso espírito divino, por superstições, despotismos e preconceitos, a força deve ser guiada por um cérebro inteligente e uma lei universal de bondade. Então seus atos de ousadia produzirão resultados permanentes, e um progresso real. Depois, há de se conquistar as sublimes causas. O pensamento é uma força onde a filosofia deve ser a energia, encontrando sua finalidade e seus efeitos na melhoria da humanidade. As duas forças motriz deste caminhar da humanidade devem ser a Verdade e Amor objetivos uns para com os outros. Quando todas essas forças se combinam, guiadas pelo intelecto e regulamentada pelas regras do direito e justiça, a grande revolução aprimorada pela idade desenvolve sua marcha em direção ao seu objeto fim que é a maturidade dos relacionamentos.

É na força mal regulada que as revoluções internas se assoberbam nos corações humanos. Por isso é que tantas vezes insurreições se desencadeiam em nossos íntimos, provenientes dos altos e baixos vislumbrados no horizonte moral da justiça, da sabedoria, da razão e do direito.

A marcha da raça humana exige que deva arder em nosso intelecto lições nobres e duradouras de coragem e determinação nas luzes de orientação, para lutar e enfrentar todos os riscos; para morrer com dignidade, pois o fim é inerente a existência; para perseverar, para ser verdadeiro para si mesmo; para lutar corpo a corpo com o destino, e para enfrentar o poder injusto, agora a desafiar os triunfos intoxicados de maldades que invadem a alma humana.

Existem forças imensas em grandes cavernas do mal debaixo da capa insolente em que se esconde a sociedade; na hedionda degradação pela miséria, vícios e crimes que são promulgados na escuridão das grandes nações e no íntimo dos corações. Há desinteresse pelo bem maior e comum; cada um grita, procura, tateia e debate-se involuntariamente por si mesmo. As idéias são ignoradas e não há progresso de pensamento filosófico. Esta população de errantes tem duas mães, ambas madrastas – a ignorância e a miséria do conhecimento.

A areia humilde lançados na fornalha e derretida pelo calor, purificado pelo fogo, pode se tornar de cristal resplandecente na busca da perfeição no trabalhar do intelecto; no desbastar-se continuamente da pedra bruta para o aparelhamento final da construção humana. A força bruta do malho conduzida pela sabedoria do cinzel, com seus golpes certeiros, traça linhas de perfeição no volume disforme do animal que é parte certa de nossa constituição original.

No entanto, é esta mesma força das pessoas, esse poder gigante, que constrói as fortificações dos tiranos, que é incorporado em seus exércitos e que serve alavanca para a degradação da humanidade. Um exalar podre dessas consciências mal formadas, e muitas vezes agachadas no intelecto de muitos, refletem no mestre a insana satisfação do mero poder pela força; os poderes são imundos, os corações estão colapsados, consciências encolhidos e escondidas sob as almas insignificantes.

É a força da maioria, que em si mesma nada mais é que pequenos grupos de minorias enclausuradas, que sustenta os corruptos e gera esta massa falida de corruptores. Essa força atua através das políticas de minorias que comandam a maioria, despreparadas, ambas as partes, para o exercício do poder e subserviência que exercem estes opostos.

Tais são os deveres morais de um maçom na justa aplicação da força na construção de seu intelecto e por consequência na restauração da humanidade. Mas é também dever da Maçonaria, enquanto instituição que prodigaliza a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ajudar a elevar o nível moral e intelectual da sociedade. Trazer idéias inovadoras e instigar a mente dos jovens para crescer e, progressivamente, harmonizar a raça humana.

Historicamente a Maçonaria pregou a Temperança, a Fortaleza Intelectual, a Prudência e a Justiça, virtudes cardeais, guias por excelência da humanidade na caminhada rumo às suas origens. Somos imortais e vitoriosos por desejo divino do Criador para a criatura. A imprudência, a injustiça, a intemperança e o luxo desregrado na prosperidade; o desespero e a desordem na adversidade, são, via de regra, as causas da decadência e ruína dos homens.

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