quinta-feira, 29 de abril de 2010

Afinidade & Necessidade: A regra da Igualdade desmistificada.

Afinidade & Necessidade: A regra da Igualdade desmistificada.

Por Pedro Paulo Buchalle
M.’. M.’. Loja Fir.’. e Har.’. Santarena n°. 17


Duas únicas razões, juntas ou separadamente, é que justificam as relações: A afinidade e a Necessidade.

De acordo com a língua portuguesa, tecnicamente, afinidade significa Relação, semelhança, analogia; semelhança entre duas ou mais espécies; conformidade, identidade, igualdade: afinidade de gostos. Tendência combinatória; coincidência de gostos ou de sentimentos. Necessidade, diferentemente, têm-se inclusive a sensação de opostos, significa qualidade ou caráter de necessário. Aquilo que é absolutamente necessário; exigência; aquilo que é inevitável, fatal; aquilo que constrange, compele ou obriga de modo absoluto; privação dos bens necessários; indigência, míngua, pobreza.

A princípio não temos escolhas, por regra geral; nascemos e não pedimos isto. A família que nos constitui não é a nossa escolha de pai, mãe, irmãos e todos os graus de parentescos conseqüentes, e, mesmo na família, onde os laços de consangüinidade deveriam definir relacionamentos iguais, temos, por escolha natural, aqueles com quem devotamos maior ou menor afinidade . Daí por diante estamos, sempre, submetidos a algumas relações necessárias e outras que por afinidade que descobrimos no curso destas ditas .

Nossos vizinhos são contingências necessárias; mas elegemos entre estes aqueles com quem vamos relacionar-nos mais freqüentemente. Na empresa, na escola, no transporte público que fazemos uso todos os dias, enfim, este binômio há de estar presente sempre em nossas relações.

Na maçonaria não seria diferente. Somos todos irmãos. Somos todos regidos por laços fraternos onde a trinômio Liberdade, Igualdade e Fraternidade é o tripé que, por conceito, nos identifica. Mesmo assim, com a igualdade prevalente, temos aqueles com quem mais nos identificamos e daí criamos relacionamentos afetivos que ultrapassam o limite da instituição.

Este tripé, entretanto, como conceito, deve ser entendido com razoável análise de prevalência, no sentido de se evitar o simplismo e cometermos o desleixo intelectual de concebermos conceitos diversos daqueles a que por princípio foram aplicados.

A propósito da IGUALDADE vale lembrar o pensamento vivo de Rui Barbosa, que foi iniciado maçom na Loja AMÉRICA, a 1º. de julho de 1869 em Salvador, no qual desmistifica-se a visão pueril do vocábulo, dando-lhe a abrangência e compreensão necessárias à sua boa e justa aplicação no mundo profano e maçônico. Vejamos, então, a harmonia da IGUALDADE na convicção conceituado de nosso amado irmão RUI BARBOSA, ao discursar na célebre “Oração aos Moços”, que trata-se de um discurso escrito, pois convidado em 1920 para paraninfo da turma de direto da Faculdade de Direito de São Paulo, aos formandos, como não pode estar presente na cerimônia de formatura, deixou seu texto para ser lido.

. . .“Não há, no universo, duas coisas iguais. Muitas se parecem umas às outras. Mas todas entre si diversificam. Os ramos de uma só árvore, as folhas da mesma planta, os traços da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo fluido, os argueiros do mesmo pó, as raias do espectro de um só raio solar ou estelar.

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo não dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem.

Esta blasfêmia contra a razão e a fé, contra a civilização e a humanidade, é a filosofia da miséria, proclamada em nome dos direitos do trabalho; e, executada, não faria senão inaugurar, em vez da supremacia do trabalho, a organização da miséria.
Mas, se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança. Tal a missão do trabalho”.

Devemos, pois, a partir desta premissa de inigualável saber divino, social, humanitário, jurídico e maçônico, mensurar com mais acuidade nossas posições enquanto executores por excelência da bondade; enquanto promotores da justiça fraterna; enquanto oradores de púlpito de nossas convicções maçônicas.

Esta necessidade de melhor compreender o outro, dadas as desigualdades naturais, e necessárias a condição de indivíduo ( o que torna cada um de nós únicos ) que somos, é que põe à prova este real espírito maçônico a que estamos obrigados, todos os iniciados, aos sermos escolhidos maçons e livremente termos aceito esta condição. Mesmo assim, escolhidos, e por livre e espontânea vontade aceitos, no seio de nossas lojas, na intimidade de nossas convicções, nossas relações ainda vão estar sujeitas ao binômio necessidade & afinidade. Estamos ligados pelos juramentos; estamos sujeitos a Constituição para o “dever ser” que é o sujeito ativo da obrigação de fazer, que é princípio constitucional a que estamos obrigados, preferencialmente, ao dever do tratamento assistencial, cavalheiro, cordial, generosos e carinhosos com todos os nossos Ir.’., Cun.’. e Sob.’. e que por regra geral se aplica a todos os homens, na visão teleológica do G.’. A.’. D.’. U.’..

Entretanto, nossas relações de carinho e afeição aos mais desenvoltos pelo estudo e aprimoramento do saber maçônico, estas, ultrapassarão os limites físicos da Sala dos Passos Perdidos, no Templo, e estarão presentes no cotidianos do seio de nossas famílias profanas e no dia a dia de nossas atividades, onde, verdadeiramente a MAÇONARIA é exercida em sua plenitude.

T.’. F.’. A.’.

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